Estava a ler um artigo no O globo assinado por Maria Lucia Rodrigues, filha do dramaturgo, jornalista, escritor e cronista genial que foi Nelson Rodrigues. Entre outras coisas ela falava da relação de amor com o pai, a quem ela se refere como um ser humano doce, gentil e às vezes severo. Lúcia ainda lembrou, não sem uma certa dose de orgulho o pioneirismo do escritor e extremo espírito de compaixão, generosidade e sensibilidade em defender causas tão nobres como o preconceito racial. Num tempo em que não era fácil dizer que existia racismo no Brasil.
Atenho-me ao fato, pois este é o motivo da crônica.
Só para a gente se situar um pouco: a década era de 40, o ano 1946, Rio de Janeiro, século XX. O país atravessava uma fase de transição na maneira de governar. Saia de um período conturbado no âmbito social e entrava num período onde reinava a esperança num país livre e desenvolvido. Nessa época, Rodrigues tentava encenar a peça “Anjo Negro”, que havia escrito especialmente para o ator, igualmente negro, Abdias do Nascimento e foi advertido pela produção do espetáculo que convidasse um ator branco e depois tingisse de preto.
Escusado dizer que o dramaturgo não acatou a sugestão dos produtores, bateu o pé, como era peculiar dele, e prevaleceu o bom senso. E o bom dizia senso que seria o Abdias do Nascimento o papel principal da peça.
Foi aí que me lembrei do Abdias do Nascimento, um anjo que um dia cruzou o meu caminho e sem mais, assim como quem não quer dizer nada, me disse uma das coisas mais belas de que já ouvi em toda minha vida e que precisava ouvir para que ela (a vida) fizesse algum sentido. Disse-me ele: “Vai João ser gauche na vida”. Só muito tempo depois é que fui entender o verdadeiro significa do vocábulo francês extraído de um poema de Drummond.
Ator, escritor, dramaturgo, brasileiro, nascido em Franca (SP). Nascimento criou o “Teatro Experimental do Negro”, o “Dia da consciência negra”, e fundou o jornal ”Quilombo”, primeiro no gênero a lutar pela igualdade racial no país. Quando político (Deputado Federal e Senador da Republica ) defendeu com unhas e dentes os direitos dos afrodescendentes, o que lhe garantiu uma indicação ao Nobel da Paz em 2010.
Um homem incrível que eu tive o prazer de conhecer. Paulista cultíssimo e sofisticado que ouvia Chopin de olhos fechados. Intelectual consciente de seu tempo, orgulhoso de sua cor, sua raça, com quem mantive conversas profundas, definitivas e intermináveis, e que devotou sua vida em favor de uma causa, não uma qualquer, mas a negra. Uma cara que acreditava no ser humano, apesar de tudo e numa sociedade mais justa, sem preconceitos. Não à toa foi considerado o mais completo intelectual do mundo africano do século XX.
No que avanço no texto, penso no humano coração do Abdias. Tento rememorar sua luta (na vida como na arte), lembrar sua dor, a de ser negro, num país onde todos somos pretos de alma branca, desde que fomos descobertos, bem como o seu orgulho de ser o que era. Penso, ainda, nos muitos amigos negros feito pela vida afora. E enquanto penso neles ouço uma música que vem de muito longe e inunda o ambiente, invadindo meus ouvidos. São os versos da canção do Caetano, descubro agora enternecido: “Mas presos são quase todos pretos ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres (...) e todos sabem como se tratam os pretos”. E meus olhos enchem-se de lágrimas.
Com ele, o Anjo Negro, nossas conversas giravam sempre em torno de teatro, de cultura, de arte, de gente (mas de teatro). Ele me aconselhava o melhor caminho a seguir na carreira artística, indicando-me grupos, companhias. Hoje, passado algum tempo, penso, que embora a vida tenha me levado por outros caminhos, que não o Teatro, que amo de paixão e a quem devo tudo, seus conselhos eu os guardo comigo e os carrego aonde quer que eu vá, como uma profecia. Sua amizade será eterna e seus ensinamentos, também.
João Carlos Gonçalves é Empreendedor Social
Seja bem-vindo. Hoje é
A SIMPLICIDADE DO EVANGELHO
Sempre que leio o Novo Testamento, uma constatação é inevitável: a simplicidade do que Jesus ensinou. Sua mensagem, embora eloquente e arrebatadora, é tecida com o fio das coisas simples. Ele tem um acurado senso de observação da vida e, sobre ela, constrói uma ponte para nos falar do Céu. Jesus viveu à margem da religião faustosa de seu tempo. Logo no início de seu ministério, escolheu a Galileia para morar. A Galileia ficava ao norte de Israel, uma terra simples, rural, onde havia uma boa convivência com a natureza e com estrangeiros. Ao sul, ficava a Judeia, lugar do imponente templo e ricos sacerdotes. Mas Jesus preferiu juntar-se àqueles “caipiras” de sua época, gente humilde, de sotaque arrastado, capaz de denunciar um Pedro medroso na noite da prisão de seu Mestre.
Desse cenário, Jesus extraiu ricas parábolas. Vivas. Ele podia falar de ovelhas a um público acostumado à vida campestre. Podia dizer “Olhai os lírios do campo!”, tendo ao seu redor um manto de relva verde pontilhado dessas belas flores.
E sempre que leio Jesus, uma segunda constatação também é consequente: a grande diferença entre o que Ele ensinou sobre Deus e o nosso intrincado mundo religioso. Nesse intervalo de dois mil anos, a religião que se formou em torno dele é algo tão complexo! Dogmas. Rituais. Orações para todos os gostos. Mil intercessores. Teologias. Um exército de homens mercenários, comercializando abertamente o evangelho, construindo teias para complicar o que é simples, atalhos que escurecem o límpido caminho da salvação.
A simplicidade do evangelho contrasta com grandes catedrais. Tronos de ouro. Luxo. Religião-estado. Onde o poder não é mais uma virtude divina, e sim poder temporal, eclesiástico, político mesmo. Assim está o Brasil de hoje: retalhado em territórios religiosos. Vendo avançar esta ou aquela placa de igreja, mas não vendo regredir as mazelas do País.
Simplicidade para reduzir itens da vida. Nada dessa voraz teologia da prosperidade, através da qual igrejas ensinam a pecar. A pecar pela avareza, cobiça em querer mais e mais. No evangelho, Jesus continua dizendo que a vida de um homem não consiste na quantidade de bens que ele possui. Simplicidade.
Se Jesus aparecesse hoje por aqui, é bem provável que não procurasse algumas igrejas. E, se procurasse, expulsaria os modernos cambistas da fé. Derrubaria suas barracas de campanha e nos lembraria que a casa de Deus deve ser reconhecida como lugar de oração. Simplicidade de culto. Simplicidade de Deus.
Muita coisa em que hoje cremos foi construída pela história. Por isso, é indispensável uma boa leitura do evangelho. Nada de mergulhar cegamente no caudaloso rio da religião. É sempre bom olhar a nascente do cristianismo. Ouvir o que Jesus tem a dizer. Porque, passados dois mil anos, os homens estão complicando muito.
Rui Raiol é escritor
O artigo acima deve ser objeto de reflexão: Em relação às contradições que vemos em Bragança, sempre os missionários querendo mais, ostentando patrimônio,museus, casas de recepção, obras faraônicas visando auferir renda, aparato, mídia, que atrai mais atenção do que a finalidade, alcançar a Deus. A Diocese ostenta terras sem fim social, quando há milhares de sem tetos. Pastores evangélicos fazendo política para benefícios pessoais (empreguismo), etc. alguns vivem como nababos, enquanto dizimistas vivem na pobreza. “Vende tudo que tens e segue-me”.” Daí de graça o que de graça recebeis”. Citações que se aplicam as ovelhas, do patrimônio das igrejas nada se dá, vende-se ou aluga-se, em nome de Deus, tudo é permissível, as pessoas leigas sem reflexão são envolvidas pelos meros discursos em contradição a pratica e leis divinas interpretadas de acordo com as conveniências. Templos, virou mania em Bragança, a cada dia mais se constroem, a fé, os costumes em nada mudam, a violência impera e a politicalha escraviza o povo carente desinformado, pelas necessidades, vítimas de fácil manipulação dos mais espertos, fariseus, Anti-Cristos vendedores do templo, pois em nome de Deus se atraem platéias sedentas de pão e enfraquecidas espiritualmente.
Religiões não nos levam a Deus, mas as obras e a fé, pessoas de conhecimento, alguns viraram agnósticos, outros crêem em Deus, fazem obras, além de orações diretas, fora do formal, mas não professam religiões, pelas contradições dos lideres, que não merecem confiança dos esclarecidos. Entretanto, Há raríssimas, dignas exceções de missionários comprometidos com Deus (J. Brigida).
SOS POR RESPEITO A CIDADANIA EXMOS SRs PROMOTORES DO MP
Dignas Promotoras Gruschenca, Adriana e Dra. Maria José V. Carvalho.
Nestes 398 anos de existência o bragantino não assumiu seus valores da cidadania, assistindo calado a toda sorte de violência institucional, por parte inclusive de agentes públicos da prefeitura, quando permite, apesar da legislação em vigor (lei municipal) ,que espaço público, praças e vias que são de domínio público, direito de ir e vir da sociedade sejam interditados para atividades privadas, através inclusive de cones do DEMUTRAN, como no caso da frente da Rádio Educadora e Praça Antônio Pereira.
Até alimentos como a carne verde e o pescado, são expostos em vias públicas às intemperíes com riscos de contaminação (feiras e mercados) submetendo a sociedade a riscos de saúde, sob omissão da vigilância sanitária.Concessão de Festas de caráter privado em vias públicas, pela POLICIA CIVIL, como ocorreu com a tradicional festa do ODA e Praça Silva Santos, próximo a Colônia dos Pescadores, sob clamor da sociedade trabalhadora, fechando vias principais da cidade aos condutores de veículos, incomodando o repouso noturno das vizinhanças, ao CARNABRAGANÇA, mesmo o Rotary Clube, que inclusive fez plantação de árvores decorativas em toda a avenida Mendonça Furtado e que poderão ser destruídas pela ação de vândalos, não obteve o aval nem do Ministério Público para sua demanda sugerindo que o evento ocorresse no Aeroporto Municipal, onde não haveria traumas ou prejuízos quaisquer sendo o local ideal para eventos de massa.
A Sociedade Bragantina, pelas suas maiorias de cidadãos que recolhem seus impostos, trabalham cotidianamente e tem seu repouso, direito de ir e vir constitucioais e assegurados em cláusula pétrea, vem a através dos jornal da cidadania protestar pelo que julga permissividade das autoridades constituídas pelo que julgam violência ao seu direito legal.
REPOUSO NOTURNO – É Direito violentado dos bragantinos.
Tanto já se falou na cidade, inclusive por autoridades, principalmente o Ministério Público, Juizado, Prefeitura, Polícias Civil e Militar sobre o direito ao sossego e repouso noturno. Nesta terra, parece, sem lei (é potoca?) que é nossa Pérola do Caeté. Decorrem anos e não se toma uma medida definitiva para equacionar a balburdia sonora que invade os lares bragantinos com o abuso sonoro de DJ’s e seus “Treme Terras” pelos confins das madrugadas, cujo som ilimitado e confrontando os limites legais e o bom senso, chega aos hospitais no centro de Bragança e a milhares de lares incomodados, que fora o grito solitário deste jornal, parece não acreditar, nem mais nas autoridades, a quem caberia resolver definitivamente os problemas. Entretanto, o que se vê, quando vemos a Policia Judiciária, inclusive, liberar festas em locais públicos, em vias do centro de Bragança, parecendo não se dar conta dos estragos trazidos ao sossego, via o sono atormentado dos cidadãos. Nos 20 anos de imprensa já vimos um delegado ser transferido através de política, porque apreendeu parte de um som treme-terra, em atitude tida como extrema, face ao desrespeito as suas determinações, quando tentou colocar um freio rígido sobre a barulheira infernizadora de uma aparelhagem sonora.
O Ministério Público, via reclamação de vizinhos, já estabeleceu sanções ao Lions Clube de Bragança e a antiga sede social do Time Negra. O Lions é um clube filantrópico, cuja renda reverte em ações sociais, devido a festas animadas a aparelhagens sonoras, em resposta a reclamação da vizinhança, o Lions foi apenado face abusos sonoros da aparelhagem locatária.
A Secretaria municipal de Meio Ambiente já andou colocando na mídia supostas ações para racionalizar abusos de carros-som na cidade, isto, há mais de quatro meses. Entretanto, é questionável sua competência para fazer tal trabalho, de vez que até hoje desconhecemos resultados práticos, qualquer medida, em termos de blitz, diurna ou noturna, mesmo sabendo-se da aquisição de um medidor decibelímetro. Nada de prático foi feito em Sra. Secretária? Desta vez estou pegando devagar, mas, e as ações efetivas?
O que estranhamos, é a Policia Judiciária conceder licença para festas noturnas em locais públicos como para uma festa no bairro da Aldeia, onde há nas vizinhanças milhares de lares de pessoas que trabalham, pagam seus impostos e tem seu direito ao sossego público assegurado em lei. Até à madrugada escutava-se os brados do DJ, e haja telefonemas ao jornal para cobrança e também às autoridades por moradores incomodados. E se segurem desta vez os moradores da avenida Nazeazeno Ferreira, além de outras, porque neste mês de junho, tudo pode, tudo parece permitido pela anuência das autoridades e tolerância do Ministério Público, que infelizmente, só age provocado, quando alguns cidadãos organizam-se em manifestações e ali buscam amparo da lei.
Sabemos de uma lei municipal que proibiria tais tipos de eventos, a não ser de cunho cultural, em vias publicas. È mais uma potoca, ninguém cumpre. Se há alguma medida drástica, mas depois, como ocorre no restante do país, tudo volta ao normal.
Sr. Comandante da PM, força que faz rondas e segurança noturna, seria bom perquirir-lhe, do porque do telefone 190 estar sempre ocupado, e do porque de a própria polícia militar, cujo quartel localiza-se no centro da cidade, com sargentos e oficiais de plantão noturno atentos, parece, só agirem, mesmo ouvindo os brados abusivos de DJs, já bastaria em abusos o som musical, permanecerem omissos de cobrar aos abusadores racionalidade no uso das aparelhagens.
Vem ai a Festa do Oda, evento tradicional, e que ninguém, fora o fato de ser realizado em via pública, em avenida principal da cidade, é radicalmente contra, todo mundo gosta, inclusive o articulista, reclamante pela sociedade, o que desgosta parte dos reclamantes são os excessos, afinal, a maioria da sociedade, idosos, trabalhadores do dia seguinte, doentes nos hospitais, tem o direito ao repouso, nosso direito termina onde começa o direito alheio. Qual é a necessidade, racionalmente falando, dos excessos sonoros, a não ser até as 22:00 hs, tudo bem, visando chamar atenção para a festa.
Ninguém quer impedir as festas alheias, nós, geralmente estamos lá também, prosando e papeando com amigos, com os proprietários, com os DJs, o que se quer é a consciência dos limites, porque assim não haveria traumas, e todo mundo sairia satisfeito, tanto quem curte festas movidas as aparelhagens, nada temos-lhes contra, quanto aqueles que tem o direito inalienável e legal ao repouso noturno.
Sugestão: Por quê, os Srs. Promotores, incluindo o do Meio-Ambiente, o Comte da PM, delegado da Polícia Civil, não fazem blitz em algumas festas, e também, nas licenças, poderia estar condicionado o compromisso dos limites legais de decibéis usados nas aparelhagens. No fim, todo mundo ficaria satisfeito, as autoridades tampouco poderiam ser questionadas por omissão, há anos tais problemas são reclamados pelas bocas inconformadas dos cidadãos bragantinos. Tem jeito autoridades?
O que temos e o que queremos
Gosto de caminhar pelo comércio de minha cidade. Tem uma característica diferente, dinâmica e caótica. As pessoas caminham apressadas. Responsabilidade no olhar, sabem onde vão e o que querem. Precisam de muito pouco para viver, sorrir e serem felizes. Parece que a brisa que vem do rio Caeté revigora suas almas alimentadas pela esperança de ver nossa Bragança com belos trajes, calçada com sapatinhos de cristal, qual cinderela em noite de gala. Ma o rio Caeté chora e suas lágrimas rolam por sobre o lodo inundo e fético, desprezado e triste. Quando suas águas estão em maré alta, ele conforta sua companheira de infortúnio – a “favela”.
O dicionário diz que: “favela – é um conjunto de habitações populares, em geral tostamente construídas e usualmente deficientes de recursos higiênicos”. Mas eu acrescento mais algumas significações: é a ferida, a chaga, o tecido porulento de administradores que não têm a sensibilidade, a inteligência e a competência de cuidar bem do dinheiro público. Não me dirijo a alguém em especial, mas a todos aqueles que não fizeram nada pelo povo e pela cidade, ou o fazem muito pouco. Por quê?
A orla do rio Caeté se cuidada com carinho seria o cartão postal desta cidade, cantada pelos poetas e saudada pelos visitantes. As ruas esburacadas, cheias de lixo e lama obrigam os transeuntes a olhar para o chão, ou correm o risco de cair – e caindo de joelhos aproveitam e fazem uma prece. No dia 27 de outubro de 2010 tive a grata satisfação de visitar a Feira Cultural do IST, cujo tema era – “A Bragança que temos e a Bragança que sonhamos” – Estão de parabéns todas as escolas de Bragança que realizam projetos dessa natureza mobilizando a comunidade escolar para que tomem consciência da realidade do nosso cotidiano. Esses projetos poderiam servir de inspiração para as políticas públicas tão necessárias, pois envolvem poder público e os vários grupos sociais, ou seja a sociedade.
A sociedade é um organismo vivo em constante mutação, é por isso que os cidadãos e cidadãos que pertencem a uma mesma comunidade não podem deixar o poder público governar sozinho, pois estamos numa democracia e não numa ditadura. Temos é dever de colaborar. Gosto de ver grupos nas ruas reclamando por seus direitos de forma pacífica e consciente. Pois muitas vezes o poder público precisa ser pressionado para que a luz brilhe e veja com carinho o trabalhador, a trabalhadora honestos nos sustento de sua família.
Quando as ruas são usadas depois da burocracia é porque foram levados à exaustão aqueles que muito pediram e confiaram no momento do voto. Se a máquina administrativa funcionar com as rodas dentadas perfeitamente ajustadas e lubrificadas com o óleo da competência e da vontade política, tudo funcionará bem. O poder e o dinheiro são duas forças poderosas e quando aliadas ao respeito, conhecimento, talento e trabalho exercem transformações para o desenvolvimento e o bem estar coletivo.
Achei estranho quando os pequenos quiosques de alimentação foram “jogados” para baixo na orla do rio Caeté sem a estrutura necessária para recebe-los. A população tem o direito da escolha e as várias opções apresentadas fariam bem a todos, pois, há quem prefira os restaurantes e há os que preferem os quiosques. Todos sairiam ganhando e os gestores municipais ganhariam mais alguns votos.
Quando Emílio Dias Ramos foi prefeito de Bragança há muitos anos, ele realizou o projeto da Feira às margens do rio Caeté com barracas padronizadas, praça ao lado do mercado de peixe onde os bragantinos promoviam festas na quadra junina. O local era enfeitado com bandeirolas coloridas e outros eventos eram também realizados. Era uma boa opção de lazer. Na época o povo só reclamou de uma coisa e reclamou muito, ele, o prefeito mandou derrubar dezenas de mangueiras que enfeitavam nossos passeios. Tirou-nos o prazer de juntar mangas deliciosas com todo o vigor do alimento saudável, a sombra benfazeja, a oxigenação dos pulmões, a paisagem exuberante.
A igrejinha de São João foi demolida, não sei quem foi o responsável, nem o porquê. No lugar ficou o Cruzeiro da Aldeia, que hoje também não existe. Temos agora somente uma feira que é a vergonha de todo bragantino da “gema”. A falta de urbanização da cidade ao longo do tempo transformou nossa feira em uma “favela”. Qual administração “purificará” a orla do rio Caeté? Barcos de pesca, empresas de médio porte, feirantes, pescadores, todos esperam por esse histórico momento, pois segundo informações confiáveis é muito difícil realizar essa “grande” tarefa. Impossível é para mim! Essa é minha opinião.
Sibá Torres (72 anos)
Professora em Letras pela UFPA
Bragança-Pará
13 DE MAIO – MESMO ABOLIDA, A ESCRAVIDÃO PERSISTE NO BRASIL
Oficialmente, a escravidão foi abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, com a promulgação da Lei Áurea. Na prática, porém, essa violência persiste até mesmo nas cidades. De 2003, ano de criação do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, até julho de 2010, foram libertados 31.661 trabalhadores em condições análogas a de escravidão no Brasil. De acordo com Gulnara Shahinian, relatora especial sobre escravidão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o problema é comum em todo o planeta e hoje é até mais grave do que no passado.
Como antes o escravo era considerado posse, o proprietário tinha preocupação em mantê-lo vivo e saudável, o que não acontece nos dias de hoje. Atualmente, apesar de ainda haver instrumentos de tortura e correntes, é mais comum escravidão forçada por recursos indiretos, como dívidas, por exemplo. No Brasil, a escravidão durante o período colonial e império foi marcada pela violência para reprimir qualquer tentativa de resistência, sendo comuns açoitamentos em praça publica. Tais sessões de torturas aconteciam nos pelourinhos, postos em que os escravos eram amarrados e açoitados, chicoteados. Hoje em dia, o que não faltam são histórias inclusive de abusos sexuais e outras práticas cruéis, o trabalho escravo no Brasil continua preenchendo as estatísticas porque as elites, setores do empresariado e até de políticos profissionais anda praticam o escravismo do século XXI acobertados mais por seu poder econômico.
No período colonial e no império homens, mulheres e crianças eram tratados como objetos e sofriam violências constantes, hoje ainda não é muito diferente, pois a escravidão é mascarada pelos poderosos contra as classes miseráveis, inclusive na pratica política, quando trocam votos por favorecimento material manipulando os menos favorecidos. 31.66l escravos do século foram libertados de 2003 até 2010 no Brasil, 1835 fazendas foram flagradas praticando trabalho escravo. A PECE 438 apresentada na Câmara Federal que terras com trabalho escravo sejam desapropriadas para reforma agrária. A proposta está parada no Congresso.
João Santa Brígida Filho
Diretor da Tribuna do Caeté
Os Marcadores Conversacionais
Ainda na faculdade, e isso já faz algum tempo, tomei conhecimento por intermédio de uma professora, de Língua Portuguesa (ou era de Teoria do Discurso?, não vem ao caso), dos Marcadores Conversacionais. Comentou assim de “en passant” e muito superficialmente, citando alguns exemplos em voga, lembro-me bem, o suficiente para que eu nunca mais me esquecesse do assunto.
Explica-se: os Marcadores Conversacionais são aquelas palavrinhas, expressões, e frases chatinhas e repetitivas muitas vezes, porque não dizer, que a gente escuta a toda hora por aí, na linguagem informal, sobretudo e principalmente no discurso oral dialogado, e que estão impregnados na comunicação dos jovens e adolescentes.
O tema me ocorre agora a despeito de uma dessas tais palavrinhas, não menos chatinhas, que tenho ouvido muito amiúde e aonde quer que eu vá: nas ruas, escolas, bares, até mesmo no meio acadêmico e que já se tornou meio que uma mania regional. Refiro-me ao nosso marcador mais famoso, o sempre onipresente” pior”. Quer ver um exemplo: alguém diz o Brasil é o país da corrupção e outro interlocutor não mais que de repente: pior!
Os Marcadores Conversacionais ou Marcadores Linguísticos, como preferem alguns, são fenômenos que ocorrem na língua, precisamente no plano da oralidade, determinados pela situação cara a cara dos interlocutores e que são objetos de estudo da lingüística, a ciência da linguagem.
A lingüística (a título de entendimento) se distingue da gramática normativa (a que estudamos na escola) porque não tem como esta o objetivo de prescrever normas ou ditar regras para o bom uso ou funcionamento da língua. Tudo o que faz parte da língua interessa e é matéria de reflexão da lingüística.
Notamos os marcadores no princípio do discurso (e aí?, bem!, ), no meio (hum!, daí, sabe!), no fim (não é?, entende?) e outros que podem está tanto no inicio como no final, caso do” fala sério!”, “ninguém merece”! ; ainda podem ser verbais, prosódicos e orais, e são de vários tipos; marcadores de busca de apoio ( sabe, né?), de retificação (assim, quer dizer), de hesitação ( ah!, eh! ), de atenuação de conversa ( tipo assim, fala sério!, sei lá) e muitos outros.
Embora tenha o seu valor, segundo os especialistas os marcadores de conversa, não contribuem efetivamente para o desenvolvimento do texto, por outro lado eles são de grande importância, pois “tipo assim”, (só para usar um marcador), ajudam a construir e dar coesão e coerência ao texto oral.
Algumas vez supérfluos, é bem verdade, e complicadores em alguns contextos, os Marcadores de Conversa funcionam quase sempre como articuladores ou determinando (marcando) as expressões de interação entre os interlocutores.
Chatos, descartáveis ou complicadores, a verdade é que não há como negar os Marcadores de Conversa na linguagem cotidiana. Eles estão por toda parte. Vivem na boca do povo. Este que melhor e mais gostoso fala o português do Brasil, como disse um autor do nosso tempo e são “faladíssimos”.
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