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REPOUSO NOTURNO – É Direito violentado dos bragantinos.


           Tanto já se falou na cidade, inclusive por autoridades, principalmente o Ministério Público, Juizado, Prefeitura, Polícias Civil e Militar sobre o direito ao sossego e repouso noturno. Nesta terra, parece, sem lei (é potoca?) que é nossa Pérola do Caeté. Decorrem anos e não se toma uma medida definitiva para equacionar a balburdia sonora que invade os lares bragantinos com o abuso sonoro de DJ’s e seus “Treme Terras” pelos confins das madrugadas, cujo som ilimitado e confrontando os limites legais e o bom senso, chega aos hospitais no centro de Bragança e a milhares de lares incomodados, que fora o grito solitário deste jornal, parece não acreditar, nem mais nas autoridades, a quem caberia resolver definitivamente os problemas. Entretanto, o que se vê, quando vemos a Policia Judiciária, inclusive, liberar festas em locais públicos, em vias do centro de Bragança, parecendo não se dar conta dos estragos trazidos ao sossego, via o sono atormentado dos cidadãos. Nos 20 anos de imprensa já vimos um delegado ser transferido através de política, porque apreendeu parte de um som treme-terra, em atitude tida como extrema, face ao desrespeito as suas determinações, quando tentou colocar um freio rígido sobre a barulheira infernizadora de uma aparelhagem sonora. 
           O Ministério Público, via reclamação de vizinhos, já estabeleceu sanções ao Lions Clube de Bragança e a antiga sede social do Time Negra. O Lions é um clube filantrópico, cuja renda reverte em ações sociais, devido a festas animadas a aparelhagens sonoras, em resposta a reclamação da vizinhança, o Lions foi apenado face abusos sonoros da aparelhagem locatária.
            A Secretaria municipal de Meio Ambiente já andou colocando na mídia supostas ações para racionalizar abusos de carros-som na cidade, isto, há mais de quatro meses. Entretanto, é questionável sua competência para fazer tal trabalho, de vez que até hoje desconhecemos resultados práticos, qualquer medida, em termos de blitz, diurna ou noturna, mesmo sabendo-se da aquisição de um medidor decibelímetro. Nada de prático foi feito em Sra. Secretária? Desta vez estou pegando devagar, mas, e as ações efetivas?
            O que estranhamos, é a Policia Judiciária conceder licença para festas noturnas em locais públicos como para uma festa no bairro da Aldeia, onde há nas vizinhanças milhares de lares de pessoas que trabalham, pagam seus impostos e tem seu direito ao sossego público assegurado em lei. Até à madrugada escutava-se os brados do DJ, e haja telefonemas ao jornal para cobrança e também às autoridades por moradores incomodados. E se segurem desta vez os moradores da avenida Nazeazeno Ferreira, além de outras, porque neste mês de junho, tudo pode, tudo parece permitido pela anuência das autoridades e tolerância do Ministério Público, que infelizmente, só age provocado, quando alguns cidadãos organizam-se em manifestações e ali buscam amparo da lei.
             Sabemos de uma lei municipal que proibiria tais tipos de eventos, a não ser de cunho cultural, em vias publicas. È mais uma potoca, ninguém cumpre. Se há alguma medida drástica, mas depois, como ocorre no restante do país, tudo volta ao normal.
             Sr. Comandante da PM, força que faz rondas e segurança noturna, seria bom perquirir-lhe, do porque do telefone 190 estar sempre ocupado, e do porque de a própria polícia militar, cujo quartel localiza-se no centro da cidade, com sargentos e oficiais de plantão noturno atentos, parece, só agirem, mesmo ouvindo os brados abusivos de DJs, já bastaria em abusos o som musical, permanecerem omissos de cobrar aos abusadores racionalidade no uso das aparelhagens.
             Vem ai a Festa do Oda, evento tradicional, e que ninguém, fora o fato de ser realizado em via pública, em avenida principal da cidade, é radicalmente contra, todo mundo gosta, inclusive o articulista, reclamante pela sociedade, o que desgosta parte dos reclamantes são os excessos, afinal, a maioria da sociedade, idosos, trabalhadores do dia seguinte, doentes nos hospitais, tem o direito ao repouso, nosso direito termina onde começa o direito alheio. Qual é a necessidade, racionalmente falando, dos excessos sonoros, a não ser até as 22:00 hs, tudo  bem, visando chamar atenção para a festa.
              Ninguém quer impedir as festas alheias, nós, geralmente estamos lá também, prosando e papeando com amigos, com os proprietários, com os DJs, o que se quer é a consciência dos limites, porque assim não haveria traumas, e todo mundo sairia satisfeito, tanto quem curte festas movidas as aparelhagens, nada temos-lhes contra, quanto aqueles que tem o direito inalienável e legal ao repouso noturno.
            Sugestão: Por quê, os Srs. Promotores, incluindo o do Meio-Ambiente, o Comte da PM, delegado da Polícia Civil, não fazem blitz em algumas festas, e também, nas licenças, poderia estar condicionado o compromisso dos limites legais de decibéis usados nas aparelhagens. No fim, todo mundo ficaria satisfeito, as autoridades tampouco poderiam ser questionadas por omissão, há anos tais problemas são reclamados pelas bocas inconformadas dos cidadãos bragantinos. Tem jeito autoridades?

O que temos e o que queremos


              Gosto de caminhar pelo comércio de minha cidade. Tem uma característica diferente, dinâmica e caótica. As pessoas caminham apressadas. Responsabilidade no olhar, sabem onde vão e o que querem. Precisam de muito pouco para viver, sorrir e serem felizes. Parece que a brisa que vem do rio Caeté revigora suas almas alimentadas pela esperança de ver nossa Bragança com belos trajes, calçada com sapatinhos de cristal, qual cinderela em noite de gala. Ma o rio Caeté chora e suas lágrimas rolam por sobre o lodo inundo e fético, desprezado e triste. Quando suas águas estão em maré alta, ele conforta sua companheira de infortúnio – a “favela”.
               O dicionário diz que: “favela – é um conjunto de habitações populares, em geral tostamente construídas e usualmente deficientes de recursos higiênicos”. Mas eu acrescento mais algumas significações: é a ferida, a chaga, o tecido porulento de administradores que não têm a sensibilidade, a inteligência e a competência de cuidar bem do dinheiro público. Não me dirijo a alguém em especial, mas a todos aqueles que não fizeram nada pelo povo e pela cidade, ou o fazem muito pouco. Por quê?
               A orla do rio Caeté se cuidada com carinho seria o cartão postal desta cidade, cantada pelos poetas e saudada pelos visitantes. As ruas esburacadas, cheias de lixo e lama obrigam os transeuntes a olhar para o chão, ou correm o risco de cair – e caindo de joelhos aproveitam e fazem uma prece. No dia 27 de outubro de 2010 tive a grata satisfação de visitar a Feira Cultural do IST, cujo tema era – “A Bragança que temos e a Bragança que sonhamos” – Estão de parabéns todas as escolas de Bragança que realizam projetos dessa natureza mobilizando a comunidade escolar para que tomem consciência da realidade do nosso cotidiano. Esses projetos poderiam servir de inspiração para as políticas públicas tão necessárias, pois envolvem poder público e os vários grupos sociais, ou seja a sociedade.
                  A sociedade é um organismo vivo em constante mutação, é por isso que os cidadãos e cidadãos que pertencem a uma mesma comunidade não podem deixar o poder público governar sozinho, pois estamos numa democracia e não numa ditadura. Temos é dever de colaborar. Gosto de ver grupos nas ruas reclamando por seus direitos de forma pacífica e consciente. Pois muitas vezes o poder público precisa ser pressionado para que a luz brilhe e veja com carinho o trabalhador, a trabalhadora honestos nos sustento de sua família.
                  Quando as ruas são usadas depois da burocracia é porque foram levados à exaustão aqueles que muito pediram e confiaram no momento do voto. Se a máquina administrativa funcionar com as rodas dentadas perfeitamente ajustadas e lubrificadas com o óleo da competência e da vontade política, tudo funcionará bem. O poder e o dinheiro são duas forças poderosas e quando aliadas ao respeito, conhecimento, talento e trabalho exercem transformações para o desenvolvimento e o bem estar coletivo.
                   Achei estranho quando os pequenos quiosques de alimentação foram “jogados” para baixo na orla do rio Caeté sem a estrutura necessária para recebe-los. A população tem o direito da escolha e as várias opções apresentadas fariam bem a todos, pois, há quem prefira os restaurantes e há os que preferem os quiosques. Todos sairiam ganhando e os gestores municipais ganhariam mais alguns votos.
                  Quando Emílio Dias Ramos foi prefeito de Bragança há muitos anos, ele realizou o projeto da Feira às margens do rio Caeté com barracas padronizadas, praça ao lado do mercado de peixe onde os bragantinos promoviam festas na quadra junina. O local era enfeitado com bandeirolas coloridas e outros eventos eram também realizados. Era uma boa opção de lazer. Na época o povo só reclamou de uma coisa e reclamou muito, ele, o prefeito mandou derrubar dezenas de mangueiras que enfeitavam nossos passeios. Tirou-nos o prazer de juntar mangas deliciosas com todo o vigor do alimento saudável, a sombra benfazeja, a oxigenação dos pulmões, a paisagem exuberante.
                  A igrejinha de São João foi demolida, não sei quem foi o responsável, nem o porquê. No lugar ficou o Cruzeiro da Aldeia, que hoje também não existe. Temos agora somente uma feira que é a vergonha de todo bragantino da “gema”. A falta de urbanização da cidade ao longo do tempo transformou nossa feira em uma “favela”. Qual administração “purificará” a orla do rio Caeté? Barcos de pesca, empresas de médio porte, feirantes, pescadores, todos esperam por esse histórico momento, pois segundo informações confiáveis é muito difícil realizar essa “grande” tarefa. Impossível é para mim! Essa é minha opinião.

Sibá Torres (72 anos)
Professora em Letras pela UFPA
Bragança-Pará

13 DE MAIO – MESMO ABOLIDA, A ESCRAVIDÃO PERSISTE NO BRASIL


Oficialmente, a escravidão foi abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, com a promulgação da Lei Áurea. Na prática, porém, essa violência persiste até mesmo nas cidades. De 2003, ano de criação do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, até julho de 2010, foram libertados 31.661 trabalhadores em condições análogas a de escravidão no Brasil. De acordo com  Gulnara Shahinian, relatora especial sobre escravidão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o problema é comum em todo o planeta e hoje é até mais grave do que no passado.
               Como antes o escravo era considerado posse, o proprietário tinha preocupação em mantê-lo vivo e saudável, o que não acontece nos dias de hoje. Atualmente, apesar de ainda haver instrumentos de tortura e correntes, é mais comum escravidão forçada por recursos indiretos, como dívidas, por exemplo. No Brasil, a escravidão durante o período colonial e império foi marcada pela violência para reprimir qualquer tentativa de resistência, sendo comuns açoitamentos em praça publica. Tais sessões de torturas aconteciam nos pelourinhos, postos em que os escravos eram amarrados e açoitados, chicoteados. Hoje em dia, o que não faltam são histórias inclusive de abusos sexuais e outras práticas cruéis, o trabalho escravo no Brasil continua preenchendo as estatísticas porque as elites, setores do empresariado e até de políticos profissionais anda praticam o escravismo do século XXI acobertados mais por seu poder econômico.
                  No período colonial e no império homens, mulheres e crianças eram tratados como objetos e sofriam violências constantes, hoje ainda não é muito diferente, pois a escravidão é mascarada pelos poderosos contra as classes miseráveis, inclusive na pratica política, quando trocam votos por favorecimento material manipulando os menos favorecidos. 31.66l escravos do século foram libertados de 2003 até 2010 no Brasil, 1835 fazendas foram flagradas praticando trabalho escravo. A PECE 438 apresentada na Câmara Federal  que terras com trabalho escravo sejam desapropriadas para reforma agrária. A proposta está parada no Congresso.        

João Santa Brígida Filho
Diretor da Tribuna do Caeté

Os Marcadores Conversacionais

       Ainda na faculdade, e isso já faz algum tempo, tomei conhecimento por intermédio de uma professora, de Língua Portuguesa (ou era de Teoria do Discurso?, não vem ao caso), dos Marcadores Conversacionais. Comentou assim de “en passant” e muito superficialmente, citando alguns exemplos em voga, lembro-me bem, o suficiente para que eu nunca mais me esquecesse do assunto.
Explica-se: os Marcadores Conversacionais são aquelas palavrinhas, expressões, e frases chatinhas e repetitivas muitas vezes, porque não dizer, que a gente escuta a toda hora por aí, na linguagem informal, sobretudo e principalmente no discurso oral dialogado, e que estão impregnados na comunicação dos jovens e adolescentes.
       O tema me ocorre agora a despeito de uma dessas tais palavrinhas, não menos chatinhas, que tenho ouvido muito amiúde e aonde quer que eu vá: nas ruas, escolas, bares, até mesmo no meio acadêmico e que já se tornou meio que uma mania regional. Refiro-me ao nosso marcador mais famoso, o sempre onipresente” pior”. Quer ver um exemplo: alguém diz o Brasil é o país da corrupção e outro interlocutor não mais que de repente: pior!
       Os Marcadores Conversacionais ou Marcadores Linguísticos, como preferem alguns, são fenômenos que ocorrem na língua, precisamente no plano da oralidade, determinados pela situação cara a cara dos interlocutores e que são objetos de estudo da lingüística, a ciência da linguagem.
          A lingüística (a título de entendimento) se distingue da gramática normativa (a que estudamos na escola) porque não tem como esta o objetivo de prescrever normas ou ditar regras para o bom uso ou funcionamento da língua. Tudo o que faz parte da língua interessa e é matéria de reflexão da lingüística.
Notamos os marcadores no princípio do discurso (e aí?, bem!, ), no meio (hum!, daí, sabe!), no fim (não é?, entende?) e outros que podem está tanto no inicio como no final, caso do” fala sério!”, “ninguém merece”! ; ainda podem ser verbais, prosódicos e orais, e são de vários tipos; marcadores de busca de apoio ( sabe, né?), de retificação (assim, quer dizer), de hesitação ( ah!, eh! ), de atenuação de conversa ( tipo assim, fala sério!, sei lá) e muitos outros.
     Embora tenha o seu valor, segundo os especialistas os marcadores de conversa, não contribuem efetivamente para o desenvolvimento do texto, por outro lado eles são de grande importância, pois “tipo assim”, (só para usar um marcador), ajudam a construir e dar coesão e coerência ao texto oral.
Algumas vez supérfluos, é bem verdade, e complicadores em alguns contextos, os Marcadores de Conversa funcionam quase sempre como articuladores ou determinando (marcando) as expressões de interação entre os interlocutores.
        Chatos, descartáveis ou complicadores, a verdade é que não há como negar os Marcadores de Conversa na linguagem cotidiana. Eles estão por toda parte. Vivem na boca do povo. Este que melhor e mais gostoso fala o português do Brasil, como disse um autor do nosso tempo e são “faladíssimos”.




RELIGIÕES EM DECADÊNCIA

              Pesquisas realizadas no mundo todo sobre religiões, resultam no aumento no número de ateus e agnósticos. Muitas pessoas tem desacreditado das igrejas, pois a maioria virou empresas, verdadeiras fábricas de dinheiro e patrimônio, como a própria igreja católica e outras, como a que mais cresce, a Universal do Reino e Deus, de Edir Macedo. Idem a Assembléia de Deus, de repente vários pastores voltaram-se para a política partidária, como aqui no Pará, áreas de influência (Gilberto Marques/Samuel Câmara) aproveitando a alienação e inconsciência critica da grande maioria de adeptos, de baixa instrução, que ficam a mercê de manipulação de pseudos missionários espertos, que inclusive praticam nepotismo e fisiologismo, em beneficio próprio, levando boa vida sobre recursos arrecadados, mordomias, carrões, residências, etc. Eles interpretam a bíblia em beneficio próprio, principalmente na questão do dizimo. Usam aparatos estéticos, shows, cantores, bem vestidos, recursos tecnológicos para envolver as pessoas, Deus quase sempre está em plano secundário, tem uns que discursam milagres até para enriquecimento dos adeptos, pessoas fragilizadas por doenças, situações de pobreza e vivenciando situações de depressão. Alguns manipulados chegam a desfazer-se de bens, até residências para doar a certas denominações. Esse universo de descrentes em religiões, estão se dando conta que algumas praticam farsas, e que religião não salva. Não descrêem da existência de Deus, contudo, mas preferem professar sua fé independentemente de religiões, mesmo porque podemos chegar a Deus em orações, fazendo o bem, praticando a caridade, amando o próximo, fazendo reflexão sobre nossos atos cotidianos, exercendo a pratica do perdão, afinal, os 10 mandamentos não especifica nem aponta religiões, mas estabelece regras universais de obediência a lei de Deus.
                Não visamos com este comentário influir na cabeças das pessoas, porém é momento de refletirmos sobre tanta incoerência, contradições de alguns lideres, principalmente aqueles que, se preferiram virar missionário, adotarem, como S. Francisco de Assis o voto de pobreza, o que se vê é pastor “empalitozado”, com mordomias, padres boa vida, enquanto a grande massa de ovelhas patina na pobreza alienados e excluídos, porque a igreja católica, aqui, por exemplo, tem tanto patrimônio e extensão de terras improdutivas e sem qualquer uso social? A Deus o que é de Deus e a César o que é de César, “nem só de pão vive o homem, mas sobretudo da palavra de Deus, disse J.Cristo” Como em toda regra há exceções, há denominações coerentes, com lideres éticos, escrupulosos, que vigiam a si e suas práticas para merecerem o respeito como líderes perante suas ovelhas, buscando não deixar motivos para murmúrios e desconfianças, porque estes sim, procuram ser fiéis a Deus e suas ovelhas.

João Santa Brígida Filho
Diretor Editor da Tribuna do Caeté

A Vitória da Mulher


             Gostei da frase: “O fim do coronelismo” e não gostei da frase. “Se o PT continuar ganhando chegaremos a ter uma Venezuela”. Ambas são afirmativas radicais com uma grande diferença. A primeira traz esperança; a segunda denota sentimentos negativos de despeito, arrogância e discriminação. Esta proferida pelo ilustre sociólogo, ex-presidente da República do Brasil. Essa sim é uma idéia que traduz uma ideologia que contamina o céu brasileiro com as nuvens negras do autoritarismo disfarçado, fato que jamais acontecerá novamente, pois o povo brasileiro é feito de cores, alegria e trabalho. Vejam vocês, mais uma vez o conceito universal – perfeito somente Deus.
             Ouvi de uma professora: “Eu não vou votar naquela guerrilheira...” Quem passou pelas torturas de uma ditadura e no dia 01 de outubro de 2010 foi eleita a primeira presidenta do Brasil, significa que o povo brasileiro se identifica com líderes que já passaram pelo heróico sofrimento e a heróica coragem de lutar pelos menos favorecidos.
No mapa político apresentado pelas emissoras de TV, após eleições, vê-se claramente os Estados onde Dilma foi a vencedora e onde seu adversário político conseguiu a maioria. É mais uma prova de que o coronelismo no Brasil está declinando.
A região centro-oeste reúne os maiores fazendeiros do Brasil, e dois fatores significantes acontecem- Primeiro a destruição da floresta para a formação de pastos e para a plantação de soja pelos grandes exportadores desses dois produtos. É bom e é mau. Bom porque o Brasil exporta; mau porque o custo- natureza é devastador, e no caso do gado o solo pisoteado, é irrecuperável.
Outro fator, quem custeia as campanhas eleitorais são ricos empresários e ricos fazendeiros cuja recompensa formam bancadas no Congresso Nacional e no Senado que lutam pelos interesses de seus “patrões” financeiros, ou seja os coronéis de hoje.
A grande vitória de Dilma foi esta: ela foi eleita pelo povo livre, pelo povo que não tem cabresto, livre por líderes como Lula e Dilma que sofreram e lutam por uma causa justa e libertária, para que esse mesmo povo se liberte das prisões da miséria, do analfabetismo e tenham vez e voz a fim de escolherem àqueles que são capazes de “ensina-los a pescar”, ter mesa farta e educar seus filhos em escolas de qualidade, pois sabemos que a educação é um dos pilares do desenvolvimento econômico e sustentável.
Trabalhar bem alimentado dá força ao corpo e revigora a alma, fortalecendo a autoestima e assim cada brasileiro ou brasileira sentirá o seu valor e saberá que está contribuindo para um Brasil melhor e maior no conceito das Nações e nas estatísticas mundial.
O mal existe, pois quem acredita em Deus acredita no diabo. Vagabundos, drogados, crianças abandonadas e prostituídas são frutos de uma sociedade podre e corrupta, mas infelizmente mundo é mundo. Cabe aos bons lutarem com sabedoria, autoridade e competência para colherem o trigo e desprezarem o joio que será julgado pela justiça humana e divina. Continuarão a lambuzar suas drogas com o óleo da ambição sem freio e sem escrúpulos.
Não gosto de partidarismo, mas ele se fez necessário no mundo da política. Os partidos deveriam ser como uma escola. Em sala de aula o professor é a autoridade, é aquele que ensina, coordena, idealiza, cria e dá o toque pessoal em sua aula, para que haja a aprendizagem. O método escolhido é o caminho. Quando aparecem obstáculos que dificultam a aprendizagem de um só aluno ou aluna usa de sua sabedoria, competência, sensibilidade e põe em ação sua prática educativa.
O professor(a) sozinho(a) não poderá fazer a escola funcionar com perfeição- coordenadores, psicólogos, diretores, apoio são também peças importantes no tabuleiro, porém se não houver harmonia no conjunto, as metas não serão alcançadas. Cada partido político depende de seus líderes, seus filiados e sua ideologia. Todos são responsáveis. Para mim, na escola o mestre(a) é também o maestro, a maestrina aquele(a) que com a batuta e o diapasão consegue o tom certo e a harmonia da orquestra. Os outros são os instrumentos de que precisam para que a comunidade escolar ou social seja a grande vitoriosa.
Precisamos ser conscientes de que somos um ser social e político. Não podemos viver isolados nos nossos castelos ou em nossas cabanas, não somos eremitas, vivemos em comunidade. Nosso relacionamento com o outro indivíduo ou com o outro grupo tem importância política e somos responsáveis pelo desenvolvimento da comunidade a qual pertencemos. O individualismo leva à diáspara, que é a dispersão o “cada um por sim”, o caos. Precisamos aprender e temos a obrigação e o direito de escolher um bom mestre.
Sibá Torres (71 anos)
Professora em Letras- UFPA
Bragança - Pará
Ela vem aí e mata

No estado do Pará, ações pela cidadania e contra a Dengue estão caminhando com passos de Tartaruga. Ações solitárias e solidárias em favor do povo paraense atendem a grupos isolados, mas perdem-se no interior das capitais e das cidades. A indolência, o descaso, a incompetência e a irresponsabilidade geram a morte. A vontade política “dorme em berço esplêndido”. Lindas palavras de nosso Hino Naciona, porém o verbo dormir que pode significar o descanso do trabalhador, ironicamente serve também para evidenciar a falta de políticas públicas, que gerem transformações, incluindo a conscientização das populações, que pode ter também a parceria da comunidade escolar.
Quando mais jovem participei de um Congresso de professores aqui em Bragança e ouvindo um historiador, contestei sua afirmação, quando dizia que: pelo fato de o Brasil ser colonizado por portugueses degredados seriamos culturalmente um povo acomodado e com tendência à corrupção. Será isso possível? O quê confirmaria a afirmativa do tal professor? A genética? A cultura? A tradição? Gerações mais gerações se passaram e nada foi renovado em nossas mentalidades?
É certo que a economia colonial brasileira foi escravocrata. Os coronéis dominavam a política. Italianos fugindo do após segunda guerra mundial trabalharam nos cafezais do sul do país. Japoneses espalharam-se por “esse berço esplêndido”. Jesuítas ensinaram aos índios que existia um Deus único; ensinaram a gramática em tupi e português, promoveram a aculturação, que é a mistura de culturas, de mentalidades, de conceitos, de crenças, de conhecimentos. Muitas perguntas e poucas respostas.
Meu pai Osvaldo Torres, mais conhecido como Vavá Torres, já falecido gostava muito de ler. No pátio de nossa casa conversávamos todas as tardes depois que ele voltava do trabalho. Ao balanço das cadeiras de palhinha ele contava-me fatos da história de Bragança; do seu passado quando jovem, de acontecimentos políticos do Pará e do Brasil.
Naquela época, eu com meus 14 anos, ele um homem honesto que conquistou a prosperidade com muito trabalho e honestidade. Valores que passou para nós seus filhos. Já refletia e comentava sobre a incompetência dos gestores públicos e a passividade do povo diante de fatos políticos, econômicos e sociais. Ele e seus amigos – Emílio Dias Ramos (Zebu), Simpliciano Medeiros, Waldemar Soares, Luis Amaral reuniam-se aos pés do Obelisco em frente a Igreja Matriz. Conversavam sobre política, economia, projetos sociais – derrubavam políticos, construíam estradas, pontes, escolas, hospitais e transformavam Bragança na mais bela e hospitaleira cidade do Brasil. O grupo auto-intitulava-se de “Senadinho”, e legislavam em favor do povo.
O “Senadinho” não existia mais. Os grupos sociais em Bragança dividiram-se segundo seus interesses sociais, políticos e profissionais, e na minha opinião a política bragantina não encontrou até os nossos dias um líder democrático, fiel e competente (Alguns no passado longínguo se destacaram, mas não conheço suas histórias).
A voz dos antigos declarava que em Bragança “enterraram uma cabeça de burro”. Será?

Sibá Torres (71 anos)
Professora em Letras - UFPA

Tenho Dó Daqueles Que Não Sonham



             Foi numa manhã. A rua estava molhada, depois de uma forte chuva. Eu andava sem pressa, com as mãos no bolso. Pensava nos momentos agradáveis e desagradáveis que a vida me proporcionou. Não demorou muito para eu chegar à esquina daquela solitária rua fria. A livraria que vende livros usados estava lá como sempre. O velho vendedor estava lá como sempre. O velho vendedor estava arrumando algumas bagunças. Sua camisa amarrotada e molhada de suor completava o homem cansado, calvo, de poucos cabelos, barba grisalha, que ele mostrava. Peguei um livro, folheei. Ele disse para eu ficar à vontade. Daí resolvi perguntar:

- O senhor tem algum livro do Charles Bukowski por aqui?

Olhou para mim e sorriu, dizendo:

- Charles Bukowski, o “velho safado”, como muitos costumam chama-lo! Que é considerado o último escritor maldito da literatura Norte-Americana!

Fiquei surpreso por saber que ele conhecia meu escritor favorito.

- O senhor o conhece mesmo?

- Rapaz, o velho Buk – disse ele com o seu sorriso de orelha a orelha, parecendo relembrar seus bons tempos. – Deixe-me ver se encontro algum livro desse mestre por aqui.

Saiu. Só o vi se perdendo no meio de pilhas e mais pilhas de livros antigos. Passaram dois minutos antes que ele voltasse.

- Está aqui. Ainda está em boas condições.

Colocou em minhas mãos. Consegui ler o título depois que passei e são para tirar a poeira que cobria sua capa.

- Não acredito! – exclamei eufórico. – Este é o “Misto Quente”! Procurei por muitos lugares! Muito obrigado!

- Não precisa. Já é uma honra saber que ainda existem pessoas com bom gosto como você. Não são muitos que procuram esse magnífico escritor por aqui, rapaz. Não precisa me pagar.

- Que máximo!

Fomos até a calçada em frente à livraria. Ninguém pelas ruas além de nós. Lembro que eu estava muito feliz. Lembro também do mais surpreendente. Quando apertei sua mão, numa forma de gratidão, das costas do velho saiu um par de asas douradas resplandecentes e lindas, fazendo rasgar sua camisa. Eu dei um pulo para trás, surpreso com aquilo. Suas asas bateram contra o ar, tirando seus pés calçados em uns sapatos desbotados fora do chão sujo, fazendo-o flutuar. Fiquei sem acreditar no que vi, mas logo era contrariado por vê-lo realmente fora do chão, na minha frente.

- Sonhe, sonhe e sonhe. Nunca deixe de sonhar, pois só quem sonha é que pode realizar seus desejos, garoto. Dizem que somos loucos, mas só nós é que sabemos como a vida funciona através de batalhas e batalhas para conseguir o que queremos. Eu sonhei e hoje sou assim. E tenho dó daqueles que não sonham.

Depois que disse isso, ele voou, voou e voou até se perder na imensidão do céu cinzento. Nunca mais vi aquele velho outra vez, mas também nunca mais esqueci o que ele me disse.

Matheus Queirozo